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AN entrevista

Escrito por ASCOM | Publicado: Terça, 02 de Maio de 2017, 12h27 | Última atualização em Sexta, 23 de Junho de 2017, 09h22

Diretor do Centro de Documentação da Aeronáutica - CENDOC

diretor cendoc3Coronel Intendente Carlos Alberto Leite da Silva, Diretor do Centro de Documentação da Aeronáutica (CENDOC).

1) Como funciona a estrutura do CENDOC?

O CENDOC tem responsabilidade básica em relação a toda área de biblioteconomia e arquivologia da Força Aérea Brasileira (FAB), além das publicações e seu controle, e toda essa estrutura gera uma responsabilidade da Força Aérea na modernização constante desse sistema. A sede fica no Rio de Janeiro, no Campo dos Afonsos, e contem acervos da Força Aérea dos últimos 76 anos, pois a FAB foi criada em 1941.

2) Quais os acervos mais importantes e como é feita a consulta?

Guardamos os acervos doados pela família de Santos Dumont, o pai da aviação, que estão no CENDOC há mais de 15 anos, com quase 4 mil peças, cujo trato do material contou com o apoio do Arquivo Nacional e do Observatório Nacional do Rio de Janeiro e preservamos os acervos de toda a história administrativa da FAB, com o controle de todas as organizações extintas. Mais ainda, posssuímos o acervo de Nelson Freire Lavenère-Wanderley, uma das grandes autoridades militares da FAB, que foi Tenente Brigadeiro-do-Ar, Ministro de Estado, patrono do Correio Aéreo Nacional, historiador e que curiosamente foi casado com a sobrinha-neta de Santos Dumont, participando da própria organização do acervo de Dumont, além do acervo de várias instituições vinculadas aos comandos aerotáticos e as unidades operacionais da Força Aérea, com todo o arcabouço institucional, documentos que são recolhidos e guardados no CENDOC.
Com relação à consulta, damos acesso ao público, por meio da nossa sala de pesquisa, que permite a obtenção digital dos documentos, bem como através da internet, para o público em geral ou ainda pela intranet, para integrantes da Força Aérea. Ademais, trabalhamos na digitalização de todos os documentos do CENDOC, para facilitar também esse acesso.

3) Como está sendo preparado o armazenamento dos acervos digitais do CENDOC?

Utilizamos um sistema integrado de gestão arquivística de documentos para cuidar de arquivos digitais e a nossa preocupação é pensar a Força Aérea daqui a 20/30 anos, o funcionamento do repositório digital, em termos de visão futura, para manter nossas informações em segurança. Desta forma, possuímos acervos que são de papel, os acervos físicos, os arquivos permanentes, recolhidos obrigatoriamente pela FAB, que possuem valor histórico, probatório, informativo, os arquivos de ordem administrativa, de durabilidade intermediária, que vão de 5 a 135 anos, todos de suma importância, e grande parte dos documentos já passa por esse processo de digitalização.

4) Qual a visão da importância dos arquivos das Forças Armadas?

Creio que é pensarmos o futuro e, curiosamente, ao olharmos para o passado, conseguimos preservar a história, a forma como as instituições estão constituídas e aquilo que esperamos em termos de discussão sobre defesa no Brasil. Trabalharmos, por exemplo, a questão da garantia do bem estar, quais as ações de defesa tomadas nesses anos todos de história do país, no caso da Força Aérea, nos últimos 76 anos, para estruturar o sistema defensivo.
Igualmente, refletirmos sobre os nossos heróis, que participaram da Segunda Guerra Mundial e outros que ajudaram a construir a aviação internacional, como o Santos Dumont, existindo um papel de preponderância desses acervos.
É importante ressaltar, ainda, que não falamos apenas dos acervos do CENDOC, pois existe uma integração com o Instituto Histórico-Cultural (INCAER), que possui o Museu Aeroespacial, um grande sistema. Trabalhamos também com os documentos administrativos, então existe uma complexidade por trás de todo esse sistema montado.

5) E os sistemas eletrônicos? Vocês possuem o SIGAD?

Possuímos o SIGAD, que é o sistema de gestão arquivística de documentos da Aeronáutica, que se desenvolve há praticamente 10 anos na FAB e vai ser, a partir do ano que vem, integrado ao SEI, sistema eletrônico de informações.
Deste modo, precisamos discutir a arquivologia junto com a tecnologia da informação, raciocinando com esta grande ciência, e contamos com o suporte do Arquivo Nacional, para que esse SIGAD esteja integrado a uma estrutura maior, que é o SEI, havendo uma troca de informações entre eles.

6) Não faria sentido ter um sistema único que integrasse todos os comandos militares?

É fundamental que esse sistema tenha a função de trocar dados e possa integrar as informações e as peculiaridades que são próprias de cada Força, ou então de cada órgão da Administração Pública Federal, que já começa a ser uma realidade com o surgimento do SEI, e acredito, ainda, que o barramento é um bom caminho que existe para que haja uma grande ferramenta que integre todos esses dados.

7) Como é que o CENDOC pretende abrir espaço para normatizar a gestão de documentos, incluindo aí os documentos eletrônicos, e qual a sua opinião sobre a iniciativa de digitalização de documentos?

Possuímos o Sistema de Documentação do Comando da Aeronáutica (SISDOC), que existe há mais de uma década e que trabalha não só os acervos físicos, mas os documentos eletrônicos também, e temos a evolução dos requisitos arquivísticos, que são previstos dentro de preservação, armazenamento e trâmite documental com o SIGAD, que já é uma realidade, e na medida que ele vai incorporando essas exigências, permitirá uma maior fluidez dessas informações. Assim, esse sistema atual já é consagrado e possui uma grande utilidade para a FAB no trâmite de informações, e acreditamos ser um sistema muito consistente e com um grau de segurança elevado, buscando sempre um tratamento adequado dessas informações.

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Ascom
02/05/2017

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