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AN inaugura exposição virtual A Marcha para o Oeste: a conquista do Brasil Central

Escrito por Tassia Verissimo | Publicado: Terça, 21 de Abril de 2020, 06h13 | Última atualização em Quarta, 22 de Abril de 2020, 16h55

O Arquivo Nacional inaugura hoje, 21 de abril, a exposição virtual "A Marcha para o Oeste: a conquista do Brasil Central". A exposição, que apresenta fotografias do acervo da Fundação Brasil Central (FBC) do Arquivo Nacional que estão sob a guarda de sua unidade regional em Brasília, faz parte das comemorações pelos 60 anos da capital federal, que inclui também um concurso de edição na Wikipédia com o tema Brasília.

Acesse a exposição aqui.

Leia abaixo o release elaborado por Vivien Ishaq, curadora da exposição.

Sobre a Marcha para o Oeste:

A campanha Marcha para o Oeste, lançada pelo Governo de Getúlio Vargas em 1938, deu novo impulso à colonização do interior do Brasil. Gerenciada pela Fundação Brasil Central (FBC), órgão federal, a expedição Roncador-Xingu, teve início em 1943 e foi a principal frente da campanha Marcha para o Oeste. A Expedição tinha como meta alcançar a Serra do Roncador (Mato Grosso) e os rios formadores do Xingu, se tornando a via de entrada, no grande sertão, dos jovens paulistas e irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Boas, que ficariam mundialmente conhecidos como os grandes sertanistas brasileiros.

A Marcha para o Oeste criou vias de comunicação no interior do país, estradas, campos de pouso; construiu cidades planejadas; conduziu migrações de populações; e, entre seus feitos mais conhecidos, abriu caminho para a construção da nova capital do país, Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960.

A exposição está dividida em 06 módulos:

Módulo 1: A expedição Roncador-Xingu: o desbravamento do grande sertão

Em 1943, um trem com dezenove vagões partiu de São Paulo em direção a Uberlândia, transportando os expedicionários e seu suporte técnico e material. A etapa seguinte, de 900 quilômetros de estradas de terra, foi superada com caminhões e veículos de transporte até Aragarças, às margens do rio Araguaia.

Esse enorme esforço para avançar em direção ao sertão foi registrado nos diários dos irmãos Villas Boas.

Em 20 de março de 1948, no governo Eurico Dutra, teve fim a expedição Roncador-Xingu, quando foi estabelecida uma nova etapa de penetração na região Xingu-Tapajós.

Módulo 2: Os povos indígenas do Brasil Central

De canoa ou caminhando, de aldeia em aldeia, os expedicionários percorreram as lendárias selvas do Brasil Central. Atingida a Serra do Roncador, no estado do Mato Grosso, em 1946, a caravana dos irmãos Villas Boas travou contato com o povo Xavante no rio das Mortes. Antes disso, em 1944, a expedição, com ajuda da Força Aérea Brasileira, sobrevoou pela primeira vez as aldeias Xavantes.

Módulo 3: 7 Ano 1000 d.C.: a floresta habitada, a arte da cerâmica tapajó

No 1000 d.C., a Amazônia era uma região densamente habitada (com estimativa de mais de 3 milhões de pessoas) por diversas sociedades indígenas que falavam línguas completamente distintas.No início do século XX, a erosão nas ruas da cidade de Santarém, no Pará fez emergir material arqueológico, e logo pesquisadores e colecionadores começaram a organizar sítios para coletar os vasos e fragmentos de cerâmica. Os pesquisadores perceberam que nesse local floresceu a chamada cultura Santarém, que produziu uma das mais antigas cerâmicas da América do Sul, datadas a partir do século XI.

Essa valiosa coleção comprada pela Fundação Brasil Central, em maio de 1945.

Módulo 4: As missões científicas de Helmut Sick

A Fundação Brasil Central (FBC) criou um Serviço de Pesquisas para documentar e fotografar a grande variedade de espécies da flora e fauna do sertão brasileiro. Para chefiar esse serviço, foi contratado para o cargo de naturalista, em 1946, o ornitólogo alemão Helmut Sick (1910-1991). Merecem destaque suas descrições de espécies novas de animais e de plantas. Foi contratado, em setembro de 1951, o taxidermista húngaro José Hidasi (1926- ), que, junto com Sick, viajou para o Alto Xingu, o rio das Mortes e o rio Pindaíba.

Módulo 5: A colonização do Brasil Central

A campanha Marcha para o Oeste propagava o avanço da fronteira da “civilização” em direção ao Brasil Central. Na verdade, a intenção do governo Vargas era dominar a região: como conquistadores do século XX, almejavam colonizar e explorar economicamente a área, que era pouco conhecida da maioria dos brasileiros.

A Fundação Brasil Central (FBC), amparada pelas forças militares, foi responsável pela construção de uma infraestrutura básica: estradas e pistas de pouso; a estrada de Ferro Tocantins; redes de comunicação ligando o Rio de Janeiro ao interior do país. Além disso, implantaram colônias agrícolas e núcleos de povoamento. Assim foram fundadas as cidades de Aragarças, em Goiás, e Xavantina, em Mato Grosso.

Todos esses investimentos estatais em políticas públicas fizeram parte do projeto nacional para integrar e modernizar o país na segunda metade do século XX.

Módulo 6: Inventando o futuro

O sucesso da expedição Roncador-Xingu e os resultados alcançados pela Fundação Brasil Central (FBC) viabilizaram a continuidade de investimentos públicos visando à ocupação e à integração dessa região ao restante do país. O que era uma campanha do Estado Novo tornou-se uma marca de sucessivos governos, atingindo o ápice na administração de Juscelino Kubitschek (1956-1961), que transferiu a capital nacional, do Rio de Janeiro para o interior, Brasília, cidade construída no Planalto Central.

Após o governo Juscelino Kubitschek, a FBC perde sua importância, até finalmente ser extinta em 1967.

 

 

 


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