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Festival Global Cultural dos Povos Tradicionais Africanos e Afro-diaspóricos

Escrito por Tassia Verissimo | Publicado: Quinta, 22 de Novembro de 2018, 16h42 | Última atualização em Quinta, 22 de Novembro de 2018, 16h42

O Festival Global Cultural dos Povos Tradicionais Africanos e Afro-diaspóricos teve início no salão principal da sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 19 de novembro, com a execução do hino nacional brasileiro pela Orquestra de Berimbaus Abadá-Capoeira, que também apresentou outras músicas e roda de capoeira. Foi realizada, ainda, uma performance com mulheres do grupo IEWÁ PADE, projeto musical que traz um repertório afro-brasileiro imbuído de músicas autorais que dialogam com o cenário musical da atualidade, entendendo que a cultura popular também compõe a cena contemporânea.

A mesa de abertura do evento foi composta pelo coordenador-geral de Acesso e Difusão Documental do Arquivo Nacional, Marcos André Carvalho, Ângela Bretas, vice-diretora da Escola de Educação Física e Desporto da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Michele Pereira, coordenadora de Extensão da Escola de Educação Física e Desporto da UFRJ, Alexandre Carvalho, do Departamento de Arte Corporal da UFRJ e coordenador do grupo IEWÁ PADE, Ivanir dos Santos, servidor do Arquivo Nacional e coordenador da Coordenadoria de Religiões Tradicionais Africanas, Afro-brasileira, Racismo e Intolerância Religiosa da UFRJ, e Fernando Porto, coordenador do programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO.

Marcos André, que representou a diretora-geral do Arquivo Nacional, Carolina Chaves, ficou responsável pela abertura do evento e leitura de um texto escrito pela diretora: “É com alegria que recebemos hoje a abertura do Festival Global Cultural dos Povos Tradicionais Africanos e Afro-diaspóricos no Arquivo Nacional. Cumprimento os organizadores do evento e gostaria de lembrar que 2018 foi um ano particularmente profícuo para a reflexão sobre as identidades afro-brasileiras aqui na instituição. Em maio deste ano realizamos no Arquivo Nacional um grande evento para marcar os 130 anos da abolição da escravatura em nosso país e em setembro o Arquivo Nacional apoiou a realização do Seminário Reparação da Escravidão e os Ancestrais de Santa Rita em suas dependências. Essas iniciativas, em conjunto com outras realizadas pelo Arquivo Nacional ao longo de 2018 e com esse Festival que se inicia hoje demonstram que o Arquivo Nacional está em consonância com a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que estabeleceu em 2015 a década internacional dos afrodescendentes. Finalizo desejando a todas e todos um ótimo evento!”

De acordo com Ivanir Santos, servidor do Arquivo Nacional e um dos responsáveis pela organização do festival: “esse é um evento prévio a um grande festival internacional de culturas tradicionais e afro-diaspóricas que está programado para o ano que vem. O evento deste ano é muito importante, então, como preparação para algo maior e é bastante simbólico que aconteça durante a semana em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra”.

Na parte da tarde foi realizada uma mesa com o tema “Identidade e Memória: Diáspora e Religiões no Brasil, a performance “Corpo Macumba”, com Fábio Costta, e a oficina de ritmos “Uma vivência Afro-Amazônica”, com Mestre Silvan Galvão. A programação do dia foi finalizada no Teatro João Caetano, com apresentação do Grupo Cultural Jongo da Serrinha.

No dia 20 de novembro, feriado estadual do Dia da Consciência Negra, as atividades do Festival foram realizadas na Biblioteca Parque. Na parte da manhã aconteceu a mesa “Herança da Espiritualidade Africana” e na parte da tarde a mesa “Saúde e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Também fez parte da programação uma roda de conversa com o Ogã Bangbala. Ogã é o nome que se dá a determinadas funções masculinas dentro de um terreiro de candomblé. É o escolhido para estar lúcido durante os rituais religiosos. Ogã Bangbala dedica-se, há mais de 70 anos, a preservar e difundir o candomblé e a defender as tradições de matriz africana. Na parte da noite o Teatro João Caetano recebeu o Festival CORPOralidades Negras, que contou com performances artísticas de vários grupos.

Na quarta-feira, 21 de novembro, o Arquivo Nacional recebeu a mesa “Corpo Afro-diaspórico” na parte da manhã. Na parte da tarde ocorreu a mesa “Criação do Mundo Segundo os Fons, Bantos e Iorubás”. Nesta mesa estiveram presentes a pós-doutora em História Comparada e escritora Helena Teodoro, Severo Luzardo Filho, carnavalesco da Escola de Samba União da Ilha do Governador, e o pós-doutor em Narrativas de Cultura e carnavalesco Milton Cunha.

Para Helena Theodoro participar do evento foi “uma honra muito grande por ser um festival internacional que fala a partir de uma visão afro-diaspórica. A gente (Brasil) como um elemento significante dessa diáspora ter sediado esse evento é muito importante. Agradeço ao Arquivo Nacional por ter cedido o espaço para que a gente cuidasse da nossa memória e da nossa identidade”. O carnavalesco Severo Luzardo considera “fundamental eventos que tragam a discussão a respeito da negritude no Brasil para a pauta”. Milton Cunha considera que o “Arquivo Nacional está corretíssimo em abrir seu espaço para receber os discursos da negritude e conversar sobre diáspora e afrodescendência porque assim ele cumpre a importante missão de ser depositário da democracia”.

Como atividade concomitante às mesas foi realizada uma mostra de cinema, com exibição de curtas e médias-metragens, seguida de roda de conversa no espaço Cave do Arquivo Nacional. O encerramento das atividades do Arquivo Nacional no Festival Global Cultural dos Povos Tradicionais e Afro-diaspóricos contou com apresentação do Grupo Cultural Jongo de Pinheiral no auditório principal.

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO também recebeu uma mesa que teve como tema “Políticas públicas de acervos arquivísticos dos povos afro-brasileiros e indígenas”. O Teatro João Caetano ficou responsável pelo encerramento do Festival com a apresentação da Tamborzada – Companhia Folclórica do Rio – UFRJ 30 anos. A companhia é um grupo artístico, de pesquisa e de divulgação da cultura popular brasileira constituído por professores, funcionários e alunos da universidade que produz espetáculos de música, danças e folguedos brasileiros, promove atividades e eventos científicos e culturais, além de cursos de extensão e para a educação continuada. 

As atividades que aconteceram dentro do auditório do Arquivo Nacional contaram com transmissão ao vivo na página da instituição no Facebook. Confira os vídeos aqui.

 

 

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