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Caramuru

Escrito por Mirian Lopes Cardia | Publicado: Segunda, 19 de Março de 2018, 10h31 | Última atualização em Quinta, 01 de Março de 2018, 10h27 | Acessos: 884

Ficou famosa na política a frase “cunhado não é parente”.

Contudo, a formação do povo brasileiro só foi possível graças a uma instituição social chamada “cunhadismo”.

Os primeiros europeus que chegaram às costas brasileiras – náufragos, degredados, marinheiros fugidos, piratas – não raro recebiam como esposa (temericó) uma moça índia, estabelecendo, assim, laços de parentesco com todos os membros do grupo, o que lhes possibilitava diversos outros casamentos. Muitos formavam unidades apartadas das aldeias, compostas por múltiplas esposas índias e seus inúmeros filhos.

A instituição do cunhadismo operava, ao agregar relações parentais extensas, como um instrumento amplo e eficaz de recrutamento de mão de obra para trabalhos pesados e para fazer prisioneiros de guerra a serem trocados por uma foice ou um machado. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, o cunhadismo funcionou como um “criatório de gente mestiça” que, de fato, promoveu a ocupação do Brasil.

Um desses núcleos pioneiros, formado com base nessa instituição, foi o de Diogo Álvares Correia – Caramuru – que se fixou, em 1510, na Bahia, onde constituiu numerosa família indígena e se converteu na base essencial de ocupação lusa no litoral baiano.

Essa história foi glorificada no livro Caramuru: poema épico do descobrimento da Bahia, escrito pelo frei José da Santa Rita Durão, cujo original, datado de 1836, está em exibição na exposição Itinerários indígenas.

 

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