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Relatos afetivos

Histórias da emoção que os arquivos podem despertar

Escrito por Mirian Lopes Cardia | Publicado: Sexta, 13 de Abril de 2018, 11h31 | Última atualização em Quarta, 18 de Abril de 2018, 08h28 | Acessos: 1545

Assim como revirar antigos álbuns de família numa faxina de fim de semana, trabalhar em um arquivo também pode despertar emoções inesperadas nos profissionais que se dedicam a preservar e difundir a memória do País. Histórias das vidas de figuras notórias e anônimas podem se tornar descobertas de grande valor afetivo para aqueles que as revelam.

Pouco tempo após ser admitido como servidor no Arquivo Nacional (AN), Diego Barbosa passou a trabalhar no setor que organiza e descreve arquivos do Poder Judiciário. Uma vez, enquanto processava certidões, reconheceu os nomes numa habilitação de casamento: Juscelino Kubitschek de Oliveira e Sarah Luísa Gomes de Sousa Lemos.

“Para mim, que era novo no Arquivo, foi surpreendente encontrar documentos de JK e d. Sarah em meio a outros, de pessoas comuns”, conta o servidor, que agora atua na difusão do acervo em mídias sociais. “Mas entendi que esse era um dos princípios do nosso trabalho, que é não fazer esse tipo de diferenciação, especialmente quando se trata de documentos probatórios”.

Certa vez, quando trabalhava diretamente com a documentação custodiada no AN, o servidor Christiano Cantarino, do setor de acesso e difusão do acervo, dedilhava despretensiosamente umas fichas consulares e se deparou com o registro de entrada no Brasil do trompetista norte-americano Louis Armstrong, na memorável viagem que o artista fez ao País em 1957. Na ocasião, Pixinguinha encontrou-se com o   músico – nas palavras de Christiano, “um momento épico na história da música, em que o deus do jazz se encontrou com o deus do choro”.

“Eu, que amo esses gêneros, fiquei tocado”, explica ele.

 Ficha consular de Louis Armstrong

A música, aliás, costuma render gratas surpresas aos técnicos que lidam com o patrimônio arquivístico tratado no AN. Quando trabalhava com o registro de entrada de acervo, Díbulo Maranhão Jr. achou inusitada uma referência a partituras musicais numa correspondência oficial da instituição, e decidiu “rastrear” os documentos, com a ajuda de técnicos do setor de processamento e preservação do acervo. Acabou localizando documentos que, acredita-se, foram doados junto com o fundo da Rádio Mayrink Veiga, dentre eles uma partitura original do Hino à Bandeira do Brasil, aquele mesmo que aprendeu na infância.

Atualmente supervisionando a Sala de Consultas da sede no Rio, Díbulo sinaliza, entretanto, que os consulentes costumam ser os que mais se emocionam com as descobertas que fazem, com o apoio da área. “Pesquisadores acadêmicos, às vezes, até fazem dedicatórias aos técnicos da Sala em suas teses e dissertações”, aponta.

Registro civil é um dos fundos mais buscados por cidadãos 

Emoção é algo com que Helba de Oliveira convive desde que foi trabalhar com o atendimento ao público. “Algumas pessoas nos procuram para ter acesso a direitos fundamentais, como o registro de nascimento”, informa a servidora. Helba diz que já aconteceu de a equipe se unir, numa verdadeira força-tarefa, para encontrar a certidão de nascimento de uma senhora que, por ter perdido o documento numa enchente,  temia perder o emprego que acabara de conseguir. O auxílio era necessário porque a senhora não sabia ler.

Após cinco meses de trabalho, o documento foi localizado, e a equipe entrou em contato com a empregadora, que havia demitido a senhora pela falta de documentos. “Ela foi chamada de volta, e ficou muito grata”, conclui a servidora, também visivelmente emocionada. 


Helba de Oliveira, técnica do AN e o pesquisador inglês Jake Richards 

 

ASCOM- Assessoria de Comunicação Social 

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Para consultar o acervo do Arquivo Nacional, acesse: 
http://www.arquivonacional.gov.br/consulta-ao-acervo/sian-sistema-de-informacoes.html

 

 

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