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Arquivo Nacional produz massa de celulose para a restauração de documentos

Publicado: Quarta, 05 de Julho de 2017, 15h57 | Última atualização em Quarta, 05 de Julho de 2017, 15h57 | Acessos: 256

Desde 1992 o Arquivo Nacional mantém uma unidade fabricadora de papéis especiais que produz o material necessário para o processo de restauração de documentos chamado reenfibragem mecânica. A fábrica fornece a massa de celulose beneficiada com refino e corante, usada para recompor os documentos que apresentam áreas com perdas de papel. 

O engenheiro químico Anivaldo dos Santos Gonçalves é o fundador e responsável pela fábrica. Em entrevista, ele conta como funciona a produção da massa de celulose e fala dos projetos em andamento no setor:

ASCOM - Porque o Arquivo Nacional possui uma fábrica de papel? 

Anivaldo - Produzimos a massa de celulose de alta qualidade, beneficiada com refino e tingimento. Esse produto, com essas características, não existe na indústria, porque não há demanda suficiente para viabilizar a produção industrial. Além de produzir material para a restauração dos documentos custodiados na instituição, o Arquivo Nacional doa a massa de celulose para outras instituições detentoras de acervos, como a Biblioteca Nacional e universidades. Também produzimos papéis especiais para revestimento de vitrines de exposições e caixas para acondicionar documentos. O papel que fica em contato com o documento deve ser alcalino e ter um alto grau de deslignificação, a química perfeita para não colocar em risco as obras raras e os documentos.

ASCOM - Como é produzido a massa de celulose utilizada no trabalho de restauração?

Anivaldo - Temos aqui um maquinário antigo, um refinador holandesa, não mais usado pela indústria. Produzimos massa de celulose a partir da fibra do algodão, uma fibra nobre, de alta resistência. Ninguém produz com a qualidade e a permanência que produzimos. O Arquivo Nacional consome cerca de 8 quilos de massa por ano na reenfibragem mecânica de documentos e na produção de folhas para revestimento de caixas e restauração de mapas. A massa de celulose é refinada e tingida em diversos tons, para alcançar a cor do documento original que será restaurado. 

ASCOM - Como são produzidos os papéis especiais para exposições e para o acondicionamento de documentos?

Anivaldo - Os papéis, para não agredirem os documentos, devem ser alcalinos, promovendo uma barreira física e química no acondicionamento. A partir da massa de celulose produzida, adicionamos o carbonato de cálcio, que garante uma barreira de proteção, o agente de resistência à umidade e o corante. Depois que realizar alguns testes, conseguimos implantar o reaproveitamento de papéis na produção da fábrica. Papéis que serviram para acondicionar documentos e seriam descartados, são reciclados e viram matéria-prima para a fabricação de papéis especiais.

ASCOM - Há novas experiências em andamento?

Anivaldo - Já utilizamos a fibra de bananeira, como teste. O Antônio Gonçalves (engenheiro químico do Arquivo Nacional) fez mestrado em Viçosa, e trouxe de lá a celulose de fibra de bananeira. Promovemos o refino e o tingimento e o resultado imitou o papel japonês, que é o mais precioso do mercado. Com o produto, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) fez o reentelamento de um mapa, reforçando a estrutura que estava quebradiça porque sofreu hidrólise ácida.

A partir de uma parceria com a Casa da Moeda, está em fase de pesquisa o uso de papel-moeda triturado, que seria descartado. O papel-moeda também tem como matéria-prima o algodão. Mas esbarramos em uma dificuldade: um dos tipos de papel-moeda tem alto grau de colagem, de resistência ao úmido e não conseguimos processar, libertas as fibras.

Está em cartaz no Consulado Argentino uma exposição do artista plástico Gerardo Torres, que produziu as suas obras com a nossa massa de celulose. Ele obteve impressão direta de lugares históricos da cidade com folhas de polpa refinada de papel. O Arquivo Nacional contribuiu com a cessão da polpa e o meu apoio técnico. 

(Saiba mais sobre a exposição:https://www.facebook.com/ArgentinaEnRiodeJaneiro/videos/470317276632560/ )

ASCOM - Qual é a importância da fábrica para o Arquivo Nacional?

Anivaldo - Eu sou um emotivo com essa causa. A fábrica é vital para a instituição. Não se restaura documento pelo processo de reenfibragem mecânica se você não tiver esses materiais que produzimos aqui.

 

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